JUSTIÇA
Dino determina retorno de Andrei Rodrigues ao comando da PF após afastamento
Ministro do STF ordenou reintegração imediata para evitar impactos em processos sob sua relatoria
GABRIEL NERIS / CAMPO GRANDE NEWS

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quarta-feira (9) o retorno imediato de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A medida foi tomada depois de o ministro André Mendonça ter ordenado o afastamento do chefe da corporação.
As informações são do jornal O Globo. Segundo a publicação, Dino justificou a decisão pela necessidade de evitar prejuízos a processos que estão sob sua relatoria. Como o despacho de Dino é posterior ao de Mendonça, é essa determinação que, neste momento, restabelece Andrei Rodrigues no comando da PF.
Na decisão, Dino determinou ao presidente da República, responsável pela nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, que assegure a reintegração imediata de Andrei. O ministro afirmou que a medida provisória busca impedir a ocorrência de danos irreparáveis em ações sob sua responsabilidade.
O episódio ocorre em meio a uma disputa interna no Supremo envolvendo a atuação da área de inteligência da Polícia Federal. Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento ilegal e sistemático por parte da corporação durante mais de um mês. Segundo ele, foram produzidos ao menos seis relatórios de inteligência entre 3 e 31 de agosto com referências à sua atuação e à relação mantida com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Foi com base nesse episódio que Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues. A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria no plenário virtual para manter a decisão, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
A controvérsia ganhou força depois que relatórios de inteligência da PF (Polícia Federal) passaram a ser citados em decisões do Supremo. Conforme O Globo, os documentos apontavam suspeitas sobre a condução, por Mendonça, de investigações relacionadas às fraudes envolvendo o Banco Master e o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Mendonça, por sua vez, sustentou que os registros demonstrariam coleta direcionada de informações sobre ele e sobre Jorge Messias.
O caso também envolve o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a reportagem, Moraes pediu apuração sobre Mendonça após ter conhecimento da existência dos relatórios e apontou possíveis indícios de irregularidades. Mendonça contestou a situação e afirmou que o material produzido pela inteligência da PF evidenciaria monitoramento indevido de um integrante do Supremo.
Em meio ao embate, o presidente do STF, Edson Fachin, abriu prazo para manifestações dos envolvidos. Além de Moraes e Mendonça, também devem prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o próprio Andrei Rodrigues. Fachin afirmou que episódios de gravidade institucional devem ser tratados com rigor, mas sem precipitação.
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